Blog: Depois de você, acho que nunca mais vou amar ninguém



E por você escrevi as mais belas canções. Compus melodias com o vento; a chuva, e ao seu lado vivi por completo as 4 estações. Ao som de nossa música, em palavras doces te dizia: - Nunca amei alguém assim, nunca amei tanto qualquer outra pessoa.

Em lugares chamados "nossos" fizemos rimas, versos e poesias de canções sobre o tempo, deitados no chão improvisando palavras soltas ao vento, compondo as estrofes de nossa canção. Um tempo onde éramos um do outro. Eu seu homem. Você, minha mulher. Nós dois, um só coração.

Te escrevi as palavras mais doces que sequer sabia eu conhecer, e estavam aqui, dentro de mim, esperando a hora certa de conhecer o mundo ante seus ouvidos, e em contato direto com o coração mais bondoso do mundo.


Já te escrevi o que sentia, disse em verso e poesia tudo o que via porém não adiantou. Você quis partir e meu coração arrasado nesse mundo de confusão, ficou. Eu e meu vocabulário rebuscado, com notas de complexidade e por vezes presente no campo do abstrato. Conhecedor nato de mim mesmo, me encontrei em um mundo totalmente perdido quando você fechou a porta de sua morada que um dia, já foi dentro do meu coração.



Admito que a dor da sua partida ainda faz parte de mim. Não foi fácil te ver seguir e saber, bem lá no fundo, que foi o melhor que poderia ser para você e também para mim. Sem palavras bonitas ou valorosas, na simplicidade de um "adeus" e "fica bem" contido, você se foi e sequer olhou para trás. Levou sua mala e a parte da nossa história que lhe cabe, consigo. Deixou comigo a saudade, plantada em baixo de uma árvore protegida por um pergolado bonito e milhões de sonhos não vividos.

O amor acontece nas nuanças da vida. Pode ser agora, enquanto você lê esse texto ou de pé, parado na chuva, observado os carros sob a perspectiva de alguma esquina. De tanto querer você, aprendi a viver a lembrança de uma vida não vivida quando você deixou de existir em minha rotina.

É preciso admitir: algumas coisas não cabem em regime de experimentação repetida. São momentos eternos por serem finitos, em experiência breve que vale o tempo de uma vida. E nesse mar de solidão e partida, sigo meu caminho de cabeça erguida. Chuva inundou a casa, encheu meus olhos e em metáfora fatídica, quase me afogou de tanta água salgada na dor de sua despedida.



Um dia hei de trocar de música, um outro tempo, nova sina. Talvez uma metáfora ainda mais singular, um outro ritmo para a dança das cadeiras que permeia nossa vida. Porém tenho absoluta certeza, bem lá no fundo, que o que vivemos foi intenso o bastante para se fazer valer em memória transcrita. Sem ponto final, reticências, estrelas e partidas sigo escrevendo minha história, em um coração já experiente que apesar de conhecer o trágico fim desse capítulo da vida, segue relendo o prefácio desse livro que relata um tempo onde haviam mais chegadas do que partidas.

Leandro Silvério.


FOTO: PUTZANOTTI


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