Blog: A gente é feito pra acabar

Não se acaba aquilo que ainda em qualquer resquício que seja, permaneça vivo, latente e pulsante dentro de ti. Entretanto, há de se ter uma certeza única e singular que paira sobre esse entendimento: tudo que vive e compõe matéria, é feito para acabar. A gente é feito para acabar. O amor é feito para acabar. A vida é feita para acabar. E quando acaba, em transcendência metafísica cabe a cada indivíduo, fazendo-se valer da fé, lançar hipóteses sobre o que permeia o ser humano no campo daquilo que acredita-se piamente em coisas que não se pode provar.

Vale ressaltar também a liberdade imensurável em acerca da completude finita de todas as coisas, que quando experimentada tira-nos a responsabilidade acerca do mundo e sua possibilidades aleatórias, uma vez que perante o todo nosso ser ínfimo se faz grande apenas em universos singulares de nós mesmos, permeando universos que se cruzam e reconhecem-se a si próprios em pseudo entendimento de mundos alheios, onde nada mais se vê senão aquilo que reflete a própria alma do ser.

Já no que tange a cronologia de uma vida, imagine o quão caótico seria uma existência sem fim. Uma vida pautada por experiências não vividas que pudessem ser repetidas, não em equação direta e binária, mas em repetição probabilística substanciada pelo fator tempo em curva cronológica ascendente. Vive-se plenamente o hoje, ou pelo menos tenta-se viver, pois existe em cada ser pensante uma certeza absoluta sobre a jornada que, em metáfora urbana de uma reflexão Latina se faz absolutamente coerente: o relógio do tempo é irredutível e avassalador. Querendo você ou não, o tempo vai passar badalada por badalada. Sendo que a cada nova badalada, o tempo nos fere até que é chegada a última; e essa quando chega, nos mata.

Em vetor de sentido contrário é possível também aferir que a magia da vida dentro desse contexto finito que nos define, é o entendimento de que somos feitos para acabar, sim, porém também nós temos a capacidade incrível e inerente ao ser humano de renascer todos os dias. Renascer a cada novo amanhecer e acreditar piamente que dessa vez as coisas serão diferentes. Pautados no hoje e na certeza da reconstrução, em experiências singulares e jamais repetidas cometemos o erro de por vezes acreditar que o amanhã é em verdade uma continuação fidedigna de hoje, o que pode não ser em essência pois de nada sabemos sobre o futuro imaginado, ainda não experimentado. Portanto viva o hoje, viva o agora, viva plenamente! Mesmo que tenha acabado de acabar qualquer coisa que houvera a ti mesmo iniciado, viva e renasça logo depois.

Viva como se não houvesse o amanhã posto que tudo tem seu fim. Até mesmo esse texto, que ante era contido apenas em mim, agora já transborda em ti nesse parágrafo que também chegou ao fim.

Leandro Silvério.


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